Dra. Adriana Cunha Barbosa — Alergista e Imunologista

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APLV: sintomas, diagnóstico e tratamento da alergia à proteína do leite de vaca

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais frequentes na infância, principalmente durante o primeiro ano de vida. Nos últimos anos, o número de pesquisas sobre esse tema cresceu significativamente, pois muitos pais procuram entender por que seus filhos apresentam sintomas persistentes após consumir leite ou derivados.

Diferente da intolerância à lactose, que está relacionada à dificuldade de digerir o açúcar do leite, a APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca. Isso significa que mesmo pequenas quantidades podem desencadear sintomas que variam de leves a graves.

Quais são os principais sintomas da APLV?

Os sintomas podem surgir minutos ou até dias após a ingestão do leite, dependendo do tipo de reação alérgica. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Sangue nas fezes;
  • Diarreia ou prisão de ventre persistente;
  • Vômitos frequentes ou refluxo intenso;
  • Cólicas excessivas;
  • Distensão abdominal;
  • Dermatite atópica ou eczema;
  • Urticária; (neste caso, sintomas são imediatos após 2h do consumo do leite)
  • Inchaço nos lábios ou olhos;(neste caso, sintomas são imediatos após 2h do consumo do leite)
  • Tosse, chiado no peito ou dificuldade para respirar;(neste caso, sintomas são imediatos após 2h do consumo do leite)
  • Baixo ganho de peso ou dificuldade no crescimento.

Nem toda criança apresenta os mesmos sintomas. Algumas desenvolvem apenas manifestações gastrointestinais, enquanto outras apresentam alterações na pele ou no sistema respiratório.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve ser realizado por uma médica alergista ou pediatra. A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, alimentação da criança e histórico familiar de alergias.

Dependendo do caso, podem ser indicados testes alérgicos ou exames complementares. Entretanto, em muitos pacientes o diagnóstico é feito pela associação entre a história clínica, a melhora após a retirada da proteína do leite e o retorno dos sintomas durante a reintrodução supervisionada, quando indicada.

É importante evitar o autodiagnóstico. Retirar o leite da alimentação sem orientação pode causar deficiências nutricionais e dificultar a confirmação da doença.

Como é o tratamento?

O tratamento consiste na exclusão completa das proteínas do leite de vaca da alimentação da criança. Isso inclui leite, queijo, manteiga, iogurte, creme de leite e diversos alimentos industrializados que contenham derivados lácteos.

Para os bebês que utilizam fórmula infantil, o médico poderá indicar fórmulas extensamente hidrolisadas ou fórmulas à base de aminoácidos, conforme a gravidade da alergia.

Quando o bebê está em aleitamento materno exclusivo, algumas mães também podem precisar retirar leite e derivados da própria alimentação, mas essa decisão deve ser tomada apenas após avaliação médica.

Atenção em alergias graves pois há tratamento como dessensibilização ou imunoterapia oral. Aguardar sarar nesses casos persistentes já não é a melhor opção!

A criança pode voltar a consumir leite?

Na maioria dos casos, sim. Grande parte das crianças desenvolve tolerância às proteínas do leite ao longo da infância. No entanto, o tempo varia de um paciente para outro.

A reintrodução nunca deve ser feita em casa por iniciativa da família. Ela deve ocorrer somente com acompanhamento médico, pois algumas crianças podem apresentar reações importantes.

Quando procurar um alergista?

Sempre que houver sintomas repetitivos relacionados ao consumo de leite ou derivados, é fundamental procurar um especialista. O diagnóstico precoce evita sofrimento, melhora a qualidade de vida da criança e reduz o risco de complicações nutricionais.

Se você suspeita que seu filho possa ter APLV, não faça mudanças alimentares por conta própria. O acompanhamento com um alergista permite confirmar o diagnóstico, indicar o tratamento adequado e acompanhar a evolução da criança com segurança.

As informações contidas neste artigo têm caráter informativo e educativo. Qualquer sintoma deve ser avaliado individualmente por um médico especialista.